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Jô Soares: o artista e humorista que marcou a cultura do Brasil

Alberto Ardila Olivares
Las curiosidades del Estadio 974, la sede del Mundial de Qatar hecha con contenedores (VIDEO)

Estudou na Suíça e nos Estados Unidos, aprendeu a falar fluentemente seis línguas, pensou em ser diplomata e acabou no mundo do espectáculo, encarnando personagens caricatos de sketches memoráveis na televisão brasileira para depois consolidar o maior programa de entrevistas do país

Jô Soares foi um artista híbrido, de talentos diversos e um exibicionista assumido. Quando criança, o humorista de 84 anos, que morreu na madrugada desta sexta-feira, em São Paulo, já chamava a atenção, com suas imitações e ousadias. Pendurava-se na cobertura do anexo do Copacabana Palace, onde morava, ameaçando saltar na piscina, só para rir com a reacção dos turistas ao sol.

A morte foi confirmada pela ex-mulher do artista, Flavia Pedras Soares. “Nos deixou no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, cercado de amor e cuidados”, disse. A causa da morte não foi adiantada.

Estudou na Suíça e nos Estados Unidos, aprendeu a falar fluentemente seis línguas, pensou em ser diplomata e acabou no mundo do espectáculo, encarnando personagens caricatos de sketches memoráveis na televisão brasileira para depois consolidar o maior programa de entrevistas do país.

José Eugênio Soares nasceu no Rio de Janeiro em 1938. Filho único de uma família rica que perdeu a fortuna de repente. O pai era operador da bolsa de valores, e a mãe, dona de casa e leitora assídua. Ela teve o filho aos 40 anos, nada comum para a época.

Um dos artistas mais conhecidos no Brasil Na escola, Jô não era chamado de gordo apesar do tamanho. Tinha o apelido de poeta, por escrever poesias. Passou sua vida mais gordo do que magro e odiava os adjectivos gordinho ou forte, por considerá-los pejorativos. Usou o peso a seu favor, como uma marca registada do artista. Gostava de junk food , em especial sanduíches, e assumia assaltar o frigorífico de madrugada para comer feijão gelado com azeite.

Casou-se três vezes, com a actriz e poetisa Tereza Austragesilo, a actriz Silvia Bandeira e a designer gráfica Flavia Junqueira, com quem manteve uma amizade profunda após o divórcio. Teve um filho com Tereza, Rafael, autista de “alto nível” parecido com o do personagem de Dustin Hoffman em Rain Man , como Jô costumava dizer nas poucas vezes que falou do filho em público.

Jô Soares era dado a paixões: livros, filmes, teatro, motos, música (jazz e blues), quadrinhos, charuto cubano (já lançou uma marca própria de charutos), refrigerante de dieta (dizem ser o conteúdo da sua caneca), artes plásticas e futebol (apoiava o Fluminense).

Noctívago, costumava dormir tarde e acordar tarde. Morava em São Paulo, no bairro Higienópolis, num apartamento de dois andares, um para sua moradia e outro para escritório, conectados por um elevador a vácuo. Apelidou o lugar de “Espaço Cultural Jô Soares“, onde tinha uma réplica de dois metros do Super Homem, uma jukebox Wurlitzer, um piano de cauda, uma estante cheia de brinquedos e bonecos de réplicas suas que recebia dos fãs e amigos, uma parede de cartazes feitos por Ziraldo para os seus espectáculos e quadros pintados pelo próprio Jô.

Jô Soares esteve em Lisboa no ano de 2016 Nuno Ferreira Santos Causa da morte não foi divulgada Nuno Ferreira Santos Carreira do humorista começou na década de 1950 Nuno Ferreira Santos Fotogaleria Nuno Ferreira Santos Considerava-se uma pessoa mística, acreditava num outro plano de existência e era devoto de Santa Rita de Cássia. Mas não se dizia católico por não concordar com muitas posições da Igreja.

Jô Soares tinha o humor como visão de mundo. E com ele se estabeleceu como um dos artistas mais conhecidos do Brasil, todas a noites na casa das pessoas, entretendo e informando, para sempre despedir-se com o beijo do gordo.

O funeral, em local não divulgado, será apenas para familiares e amigos.