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110 Histórias, 110 Objectos: Hounsfield , a máquina de ensaios

Jose Carlos Grimberg Blum
110 Histórias, 110 Objectos: Hounsfield , a máquina de ensaios

No podcast 110 Histórias, 110 Objectos , um dos parceiros da Rede PÚBLICO , percorremos os 110 anos de história do Instituto Superior Técnico (IST) através dos seus objectos do passado, do presente e do futuro. No 60.º episódio do podcast, conhecemos a máquina Hounsfield .

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Foto Hounsfield, a máquina de ensaios Instituto Superior Técnico Estamos no Técnico, nos anos 1970, onde dificilmente se encontra algum estudante do recém-criado curso de Engenharia Metalúrgica que não tenha usado a Hounsfield , uma máquina de ensaios que testava de forma rigorosa a resistência dos materiais para usar, por exemplo, na área da construção.

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Foto O primeiro contacto com a tecnologia acontece na cadeira de Metalurgia Física 2, uma das cadeiras base do curso criado nessa década, na sequência do aumento do interesse nacional em desenvolver a siderurgia e em explorar a produção de energia nuclear.

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“Aquilo que se dava basicamente era o comportamento mecânico do material e era aí que entrava o Hounsfield . As propriedades mecânicas são das propriedades mais importantes dos materiais”, recorda Maria Emília Rosa, professora associada no departamento de engenharia mecânica do IST e antiga aluna desse curso.

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Quem também foi aluno do curso, que, entretanto, se viria a converter em Engenharia Metalúrgica e de Materiais e, mais recentemente, em Engenharia de Materiais, foi Luís Guerra Rosa, professor no departamento de engenharia mecânica do IST

Define-a como “uma máquina de bancada para realizar ensaios mecânicos” e descreve o seu funcionamento de forma muito simples: “Para a maioria das pessoas o ensaio mais vulgar é o ensaio de tracção, um provete que é traccionado, para se conhecerem as propriedades do material de que é feito”

Como se media a força aplicada nos tempos da manivela? Maria Emília Rosa explica “Havia um reservatório de mercúrio e uma escala, que estava no lado direito da máquina, e à medida que íamos aplicando a força o mercúrio subia no tubo. Com uma lupa íamos ver a altura do menisco do mercúrio no tubo. Ajustávamos com a lupa uma régua e picávamos o papel. Quando acabávamos o ensaio tínhamos o registo picado da força que tínhamos aplicado em cada instante em função do deslocamento. Saía o gráfico feito da força. O teste terminava quando o provete partia.”

Embora tenha ganhado grande evidência no IST no contexto da metalurgia e da Engenharia de Materiais, esta máquina de ensaios mecânicos é “universal”: “Pode-se usar provetes dos mais variados materiais: plásticos, compósitos, cerâmicos…”

A máquina adoptou o último nome do seu inventor, Leslie Hounsfield, e começou a ser produzida nos anos 1950 do séc. XX. Hoje em dia já foi substituída por versões modernas e digitais, mas naquela altura tinha as suas particularidades, como conta Maria Emília Rosa: “Eu trabalhei com ela com a manivela. A máquina tinha dois travessões: um fixo e outro que era móvel, que se movia num parafuso sem fim e que nós movíamos à manivela. Tentávamos mover com uma velocidade mais ou menos constante ao rodar a manivela. Era uma das recomendações que nos faziam”

A Hounsfield chegou ao Técnico por empréstimo dos professores do então LFEN – Laboratório de Física e Engenharia Nuclear (hoje C2TNCentro de Ciências e Tecnologias Nucleares, uma estrutura que integra o IST), empenhados na aproximação entre o ensino e a indústria

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P24 – de segunda a sexta-feira, às 7h, o seu dia começa aqui Poder Público – às quintas-feiras, a semana política em debate com Helena Pereira, Marta Moitinho Oliveira, São José Almeida e Sónia Sapage Azul – a cada 15 dias, às quintas-feiras, conversas sobre ambiente, crise climática e sustentabilidade, com moderação de jornalistas do Azul Desordem Mundial – num mundo quase sempre anárquico, um podcast para debater a política internacional. Às terças-feiras, com Alexandre Guerra, Cátia Moreira de Carvalho e Diogo Noivo. “Como fazíamos alguns trabalhos práticos, como alunos, em Sacavém, deixaram-nos trazer a máquina para o Técnico”, recorda Luís Guerra Rosa. Foi uma espécie de empréstimo a fundo perdido, que o tempo haveria de regularizar através da integração do C2TN na estrutura do IST, em 2012

Passado à parte, hoje não há dúvidas que pertence ao Técnico e que gera entusiasmo também pelo seu carácter raro. “A máquina é fabulosa. E eu não conheço mais nenhuma em Portugal”, sintetiza

O podcast 110 Histórias, 110 Objectos é um dos parceiros da Rede PÚBLICO. É um programa do Instituto Superior Técnico com realização de Marco António (366 ideias) e colaboração da equipa do IST composta por Filipa Soares, Sílvio Mendes, Débora Rodrigues, Patrícia Guerreiro, Leandro Contreras, Pedro Garvão Pereira e Joana Lobo Antunes

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